terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Cristianismo Estereotipado

Estereótipo é a imagem preconcebida de determinada pessoa coisa ou situação. Estereotipar quer dizer copiar, fotocopiar, reproduzir, plagiar, remedar, imitar.
Vez por outra ouvimos algumas célebres frases de alguns “neopentecostais” que não hesitam em dizer: “ meu irmão, Deus tem muito a realizar em tua vida. Basta tão somente que o irmão...”. Os “basta tão somente que...” vem sempre recheados da sugestão de hábitos e atitudes que representam a reprodução ou cópia do “modus-vivendis” deles. A visão, atitude, hábitos e costumes desses “donos da verdade” revela o caráter estereotipador que se constitui base para que esses “fieis” discipuladores concretizem seus propósitos de multiplicar a multidão dos “santos”.
Essas atitudes têm base na construção da imagem preconceituada das pessoas. O tipo, a fé, o caráter, a intimidade com Deus, segundo eles não é a ideal. Pois quem não age e não se porta “tal qual...” são estranhos no ninho.
O livro de Mateus no capítulo 7:2 nos adverte “Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós”. Já Lucas 19:22 revela o julgamento do Senhor a um dos servos a quem ele atribuiu tarefas e não as cumpriu a contento: “Porém, ele lhe disse: Mau servo, pela tua boca te julgarei. Sabias que eu sou homem rigoroso, que tomo o que não pus, e sego o que não semeei”.
Em atos 17:31 lemos: “Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos. “
Em muito se vê a atitude deísta dos neopentecostais, pois acabam tomando pra si atributos que só a Deus é permitido a exemplo do que revela a Sagrada Escritura em atos 17:31. Ou seja, quem julgará o mundo é Jesus Cristo, e ele é Deus.
Felipe anuncia Jesus a Natanael. Apesar de toda uma profecia escrita há muitos anos atrás, Natanael, preconceituoso a respeito do povo de Nazaré, indaga: “... Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?...”.
É necessário então que Felipe convoque a Natanael: “... Vem, e vê”. João 1: 46
É natural que qualquer ser humano desconfie do que vê, ouve ou anunciam. Mas não é prudente julgar. A quem Deus premia pela sua graça com o Dom do Discernimento deve compreender que aquilo que não é revelado não é prudente ser afirmado como verdade. O julgamento de Deus tem base na sua onisciência. O fato de Deus nos dar a graça de discernir, não nos autoriza julgar.
Pela conseqüência da convivência em sociedade, podemos afirmar algo que vimos ou ouvimos, todavia a única verdade absoluta é Jesus Cristo. Só Ele afirma o que é absolutamente verdadeiro. Entende-se que por mais que apuremos os fatos, analisemos atitudes, obtenhamos provas, ainda assim qualquer julgamento de nossa parte se embasará em verdades relativas.
A bíblia não revela, mas imaginamos, não como “verdade absoluta”, que ao dizer ao ladrão na Cruz à sua direita: “hoje mesmo estarás comigo no paraíso”, talvez os fariseus, sacerdotes e outros que o crucificaram guardaram aquela célebre frase como mais uma evidência de que o Nazareno não era o enviado de Deus e por isso merecia estar ali. Como pode alguém conceder lugar no paraíso a quem tanto mal causou à sociedade?
Quando julgamos alguém pelo seu histórico ou pelo que aparenta a nossos olhos deveríamos nos perguntar: se eu estivesse na crucificação, sentir-me-ia aliviado pela condenação à morte de cruz daqueles ladrões? Estaria satisfeito por Jesus garantir a um deles o paraíso?
O cristianismo degenerado também é evidenciado no espiritualismo exacerbado onde o emocionalismo e a teologia da prosperidade sobreleva a adoração pura a Deus.
A lei da Termodinâmica afirma que todo o sistema da natureza mostra um movimento invariável rumo à desintegração, à desordem e à perda de energia. Trata-se do princípio da entropia.
Em Isaias 1:4 a palavra revela: “Ai, nação pecadora, povo carregado de iniqüidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao SENHOR, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás”.
“Porque o vil fala obscenidade, e o seu coração pratica a iniqüidade, para usar hipocrisia, e para proferir mentiras contra o SENHOR, para deixar vazia a alma do faminto, e fazer com que o sedento venha a ter falta de bebida”. Isaías 32:6
Assim como nas leis da natureza, as normas sociais, bíblicas, sentimentais, religiosas, morais e éticas perdem força e adentram a desordem e desintegração.
A perda da qualidade do Cristianismo deve-se à corrupção do caráter cristão na medida que não julgamos a nós mesmos, não vemos os nossos pecados, não confessamo-los a Deus, não vivamos debaixo de sua graça e não nos erguemos, porém olhando para que não estejamos em pé e caiamos.
A perda da qualidade do Cristianismo deve-se ao fato de “reivindicar” de Deus. Esquecem que dependemos da sua vontade soberana. Quem somos nós para reinvidicar de Deus alguma coisa?
Muitos têm decretado, em nome da fé, que pessoas sejam curadas, sem ao menos entregar a Deus a fé do enfermo já que Ele vê o coração e opera segundo a sua soberana vontade.
A perda da qualidade do Cristianismo deve-se ao fato de mercarem, na maioria dos cultos, as bênçãos daquele dia.
A perda da qualidade do Cristianismo deve-se ao fato de um Pastor evangélico dizer a um Cantor, também evangélico: “ suas músicas tem qualidade, tem doutrina, tem bíblia, mas o irmão precisa gravar canções no ritmo que está na mídia. Assim o irmão venderá mais CDs”.
Mateus 24:12 nos revela: “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará”. O amor se esfria pelas nossas próprias iniqüidades, mas os escândalos, os julgamentos sumários, a segregação de classe na Igreja, a indiferença de muitos, leva à frieza da fé dos famintos e sedentos.
“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;” 1º Timóteo 4:1.
O espírito expressamente revela que muitas doutrinas tidas como sacro santa poderão ser doutrinas de demônios. Como pode por exemplo se alimentar na igreja o princípio de que as benção se revelam nos bens materiais? Jesus não tinha onde repousar a sua cabeça.
Continua 1º Timóteo 4:2: “Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência;”. Vê-se claramente que é evidente que podemos ser influenciados pelo meio, ainda que compreendamos que o que devemos é ser seguidores de Jesus Cristo. Paulo nos adverte, no entretanto que pela hipocrisia e mentiras de homens com suas próprias consciências cauterizadas, muitos apostatariam da fé pelo fato de dar ouvidos a esses espíritos enganadores.
Tenho muito medo em ver a Igreja se expandindo de pessoas que apregoam a respeito do estereotipo de crente. Vêem-se num modelo e renegam, rejeitam qualquer pessoa que não se comporte de acordo ao padrão plagiado.
Tenho medo que crentes preguem que o tatuado, o penteado da moda, o adornado não sejam convertido simplesmente pelo que aparentam.
Se assim fosse, muitos que hoje trazem a marca de Cristo no seu coração (local que ninguém pode ver ou sondar senão Deus), seriam condenados ao descaso, à discriminação porque no seu corpo (tatuado) estão as marcas de suas crenças passadas ou de seus demônios preferidos e que fisicamente não podem ser removidas. Os Olhos vêm as marcas do corpo, mas não são capazes de ver nos olhos do outro as marcas de Cristo.
Os apostatas, sequer miram os frutos. Se não perceberem no outro o seu estilo ou modelo de vida cristã, julgam e condenam ao isolamento, ao grupo do outro. Não somos modelo a ser seguido, mas devemos ser seguidores de um único modelo: Jesus Cristo!

Cruz das almas, 2008

2 comentários:

  1. Parabens professor! o seu texto expressa muito bem aquilo que acredito, e é capaz de esclarecer aos que não são cristãos o melhor caminho neste mundo onde o "ter" é mais importante do que o "ser" e onde a palavra de Deus virou comércio.

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  2. Graça e paz amado!
    É evidente que a teologia da prosperidade é fato consumado em nosso meio.A "moda" pegou, mas não foi crida no tempo presente, na contemporaneidade. Calvino no apogeu na reforma, pregoava em alto e bom som que o predestinado era aquele que tinha muitas posses, em fim que era abençoado economicamente.A reforma aponta para essa questão.O sociólogo Max Weber escreveu um livro clássico " A ética protestante e o Espírito do Capitalismo" narrativa primaz que situa o crente fruto da reforma como um ávido por dinheiro e riquezas. Não obstante, sabemos que as principais narrativas da Bíblia apontam pra isso, Abraão sai da miséria de UR cidade que de modo nenhum lhe daria possibilidades de crescer economicamente, pois estava cheia com mais de cem mil habitantes( segundo historiador) e vai para Canaã, ele da um golpe no Farão e fica rico. Isaque prospera muito aponto de tamparem os seus poços, mas não conseguiram faze-lo falir.Jacó fica rico após trabalhar muitos anos para seu tio, em fim, muitos homens da bíblia se analisarmos por este anglo eram bem sucedidos. O fato é que estão "comercializando" Jesus descaradamente. A palavra é vendida.Na nossa igreja, por exemplo, o pregador chega, prega e coloca o seu cd e dvd para vender na frente da igreja. O que foi que Jesus fez no templo com os comerciantes? Lembra! Os dízimos são roubados, cantores como "diante do trono" assinam contratos milionários com a Som livre, afim de, devido a ética cristã venderem cd"s originais.Os crentes são vistos como UM MERCADO novo e promissor, tem produto para todo mundo; idoso crente , ancião crente , jovem crente, rsrsrs, o negocio é vender e pronto. É Bíblia da mulher, da criança, disso e daquilo.
    Para além disso tudo temos os pregadores de plantão na TV, que vivem da miséria e fé alheia.Porem eu te confesso, O RR soares foi usado para falar comigo muitas vezes.Ele prega prosperidade, mas Deus usou para falar comigo.
    Sabe Smith, A prosperidade é o mínimo quando se fala na omissão da Igreja.Prosperidade com santidade não tem problema nenhum.O que não condiz com crente mesmo é meias verdades, é dissimulação, é construção de impérios dentro da Igreja. Eu sei que Deus quer fazer o seu servo prospero, mas desde que ele não coloque o coração NA RIQUEZA. A teologia da Prosperidade tem fundamento bíblico, tem estrutura, o que não se pode é vender as bênçãos, vender a palavra, deve-se, incentivar o vaso colocar sua vida no altar e lutar para alcançar sua benção de prosperidade honestamente, não cauterizar as mentes dos menos favorecidos intelectualmente dizendo que deve aceitar a sua condição de "salário mínimo".
    Para alem da pregação da prosperidade, é necessários cuidados claro, e muito estudo, mas é permissão de Deus que preguem, pois muitos mesmo enganam pelo menos começam a conhecer Jesus assim, e depois procuram a verdade! Jesus disse no livro de João capitulo 17 aqueles que o pai me der de maneira nenhuma laçarei fora!Deus tem seus meios para propagar a sua palavra mesmo que aparentemente tenha algumas contradições.

    VAi na tua força benção! vc é vaso!

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