sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Teologia da Prosperidade, show da fé e prevalêscencia das portas do inferno.

Introdução

A Teologia origina-se da palavra grega: “Theos” que significa Deus. Agregada à palavra “logos” que significa: palavra ou estudo. Dos radicais gregos concluímos que a teologia é o estudo de Deus.
A teologia estuda Deus através de suas revelações, de forma sistemática. Portanto Deus é seu objeto de estudo ou investigação. Desse modo, compreendemos a Teologia como Ciência e a definimos como sendo: A ciência que estuda Deus e sua revelação através da Criação.
Alcancemos Deus ao compreendemos seus mistérios por sua revelação. O objetivo da Teologia é a compreensão dos mistérios de Deus. Os meios que ela se utiliza é a compreensão através das investigações necessária para formar um conjunto de conhecimentos aptos que leve o homem a corrigir-se e instituir-se em justiça e se aperfeiçoe para toda boa obra.
Embora Deus seja um ser inigualável e inatingível, Ele nos permite alcança-lo quando nos dispomos a clamá-lo e busca-lo (Jer. 33.3).
As ciências do comportamento humano são imprescindíveis para o estudo da teologia, pois ajuda o homem a conhecer-se a si mesmo e a fazer um comparativo com o conhecimento de si mesmo pelo conhecimento do Deus Eterno, que só a Teologia eficientemente responde.
O Estudo da Teologia se inicia com o conhecimento de Deus através de sua inspiração na palavra e no conjunto de testemunhas que Deus inspirou ao longo dos séculos.
Conhecer Deus como personalidade e compara-lo ao homem é compreender o propósito de Deus em fazer-nos a sua imagem e semelhança. Deus é uma pessoa que se revela em três: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito. Todavia com um único propósito e por isso é entendido como Deus Jeová Triúno.
A Teologia nos apresenta Deus como sendo fonte inesgotável, pleno e eterno. Mas nos permite busca-lo, clama-lo e alcança-lo.
As ciências do Comportamento humano levam o indivíduo à compreensão de si mesmo e a Teologia leva o homem à compreensão de um Deus transcendental.
Concluímos que Deus é quem nos escolhe e designa-nos para darmos frutos permanentes. Ele se revelou a nós por sua soberana vontade, pois o véu se levantou e Ele nos permite descobrirmos os seus mistérios.
A revelação manifesta a nós outros pelo seu domínio do universo revelada na Natureza, nos milagres e através de Jesus Cristo em quem habita toda plenitude da Divindade. Ele é o Deus revelado.

A Teologia da prosperidade

A plêiade de homens inspirados ao longo da história caracteriza-se como plenária detentora do conhecimento de Deus, e seus escritos revelam a plenitude ou completeza do plano de Deus em revelar-se ao homem.
A compreensão dos mistérios de Deus é significativa, pelo fato de compreender o homem como sendo personalidade que revela a personalidade de Deus. A Personalidade cria personalidades.
Assim como o homem, Deus é dotado de intelecto ou poder de pensar; sensibilidade ou poder de sentir e a volição ou poder de vontade. Desse modo a Teologia se sobressai sobre outras Ciências na compreensão do homem.
A teologia se dedica ao estudo da queda e restauração do homem, o seu destino eterno; bem como o estudo da Igreja, a realidade de satanás e os acontecimentos dos últimos tempos.
A semelhança de Deus (o homem) é corrompida em decorrência do pecado. O poder de pensar, o poder de sentir e o poder de vontade se corrompem e o que o homem quer fazer isso não faz, mas o que não quer fazer isso faz.
Pregam-se a prosperidade como sendo uma dádiva e recompensa de Deus, pelos dízimos e ofertas entregues; pela dedicação à Igreja; etc.
Silas Malafaia afirmou em um dos seus sermões na TV que: “se riqueza afastasse o homem de Deus o Diabo “fazia” todo mundo ficar rico”. Não cabe a mim julgar se a frase, no âmbito Teológico, é correta ou não. Satanás tem usado sim do artifício da riqueza para conquistar as almas. Ele teve a audácia de oferecer á Jesus Cristo. Todavia a mensagem do reverendo deixa clara a intenção de levar as mentes a compreender que a prosperidade é a evidência do poder de barganha entre o homem e Deus.
O problema não está em tornar-se rico. O problema está no querer riqueza ou prosperidade pura e simplesmente pra deixar evidenciado a recompensa de Deus, como prova do poder de barganha. Misericórdia!
Em I Timóteo 6; 9 a 11, o Senhor nos revela que os que querem ser ricos caem em tentação e concupiscências e que por essa cobiça alguns se desviaram da fé. O texto de Paulo aconselha fugir destas coisas e tomar posse da vida eterna.
Os que enveredam por tais caminhos se submergem na perdição e ruína. Para os que pensam e desejam a prosperidade pelas causas apontadas acima, a conseqüência é traspassarem a si mesmos com muitas dores. Paulo afirma que devemos militar a boa milícia da fé e tomar posse da vida eterna, para a qual também fomos chamados.
Tiago 2:5 e 6 está escrito: “Ouvi, meus amados irmãos: Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam? Mas vós desonrastes o pobre. Porventura não vos oprimem os ricos, e não vos arrastam aos tribunais?”.
Não vos anuncio aqui a receita da inércia e da preguiça. O que Deus não quer é que sejamos preguiçosos ou acomodados. Na sua infinita capacidade de pensar, de sentir e de vontade, sabe muito bem as nossas carências e do que precisamos. Mas se nossa busca pela prosperidade nos afasta dos bons costumes e da fé genuína, certamente as conseqüências virão. A maior riqueza nos é oferecida; A Salvação em Cristo Jesus e a plenitude dos tempos após nossa glorificação em Cristo Jesus na Glória celestial.
A dita plêiade de muitos homens “inspirados” dos nossos dias, se auto denominam profetas com suas “profetadas” (termo que mais conota como; profecias de chicotadas) e se caracterizam como plenária detentora do conhecimento de Deus. Esses famigerados exclusivistas e detentores de bênçãos, revelam nos cultos o que seus intelectos, suas sensibilidades e suas vontades conseguem produzir para conquistar novos adeptos e seguidores pelo emocionalismo e imediatismo.
Seus sermões e seus escritos não revelam a plenitude ou completeza do plano de Deus em revelar-se ao homem. São sermões confusos, sem Teologia, sem início, meio e fim. Tratam muito mais dos tratados passados do que da graça salvífica de Jesus Cristo.
A compreensão dos mistérios de Deus é significativa, se compreendermos também o que se está revelado a respeito da queda e restauração do homem, o seu destino eterno; bem como o estudo da Igreja, a realidade de satanás e os acontecimentos dos últimos tempos.

O show da fé

O uso da razão é caracterizado pela demonstração do conhecimento e das verdades de forma lógica. Nosso direito de exercer uma razão crítica só existe desde que esta não entre em colisão com a razão prática – ou a racionalidade – da sociedade que vivemos.
O problema consiste então em se perceber que uma nova racionalidade está sendo implantada pelos teólogos da prosperidade e protagonistas dos cultos shows nas igrejas. Desse modo uma nova razão prática surge no seio das igrejas evangélicas impostas por esses articuladores da fé embasada no emocionalismo, uso de palavras chaves ou termos fortes que massageiam as consciências e levam o povo de Deus (se é que foram chamados) à prestação de um culto sem a devida adoração a Deus, todavia repleto de astros que apresentam seus dramas no tablado.
Tem sido muito comum, pessoas usarem o púlpito para testemunharem curas, porque certo “profeta o curou”, mas dias depois lamentarem a respeito de suas dores ou revelarem, depois de serem curados, que se submeteram à cirurgias ou outras intervenções. Creio no poder de Deus para curar, mas se há a revelação de curas por milagres, não cabe a intervenção de homens. Portanto quando se revela a cura por milagres e a graça não foi alcançada, está evidenciada aí a farsa do emocionalismo e da revelação sem causa muito utilizada nos cultos em muitas igrejas evangélicas, nas nossas igrejas. Isso é hipocrisia e é brincar com as coisas de Deus.
O Sacrifício do corpo como sendo o templo do Espírito Santo, determina as condições de nossa razão prática. Convivemos no mundo, mas não devemos nos conformar. Todavia, pela renovação do nosso entendimento, devemos ser transformados para entender qual a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Nossa razão deve estar em harmonia com a Palavra de Deus revelada a nós.
Podemos ser considerados místicos uma vez que misticismo é o contato imaginário ou real com o ser superior. Se o contato ou a busca do conhecimento de Deus estiver sob a égide da Bíblia, será uma boa fonte mística. Ao contrário, sem a Bíblia, sem as diretrizes da Teologia, será uma má fonte. Sem a Bíblia Sagrada, o conhecimento de Deus não seria genuíno e autêntico.
A busca de uma vivência real do conhecimento místico de Deus garante força se bebermos da fonte que é a palavra. Nos encheremos da inesgotável fonte que é Deus, pois a ele pertence o domínio. O conhecimento da verdade nos torna dotados do domínio da natureza divina. A convivência ou prática de acordo com o que está escrito na bíblia, bem como a vivência em espírito, garante que jamais a palavra seja desmistificada.
O estudo Teológico nos atribui conhecimentos doutrinários, mas também esclarece a respeito dos motivos ou razão para que vivamos de acordo com as normas estabelecidas na palavra de Deus. A falta de doutrina revela a falta de Teologia na mente do povo de Deus. Portanto facilidade para seguir doutrinas de homens.
A liberdade relatada em João 1:8, deixa evidente que ela consiste na capacidade que deve ter o homem de assimilar de forma ordenada e sistemática o conhecimento a respeito de Deus. Essa assimilação ordenada só é possível com a Doutrina sacro santa da Palavra de Deus e não por interpretações interesseiras e providas de articulações para envolver os fiéis num mar de emoções.
Infelizmente os mentores da teologia da prosperidade têm impregnado as mentes pelo poder da mídia e revelam Deus, seu poder e seus milagres pelo caminho do fogo; pelo óleo que foi levado para ser ungido em Israel; pelo lenço sagrado; pelo copo d´água; pelos chavões e outros artifícios.
Revela-se desse modo, o uso da Teuturgia que é uma forma de mágica ritual, com o objetivo de incorporar a força divina em um objeto material como por exemplo uma estátua, ou no ser humano através da produção de um estado de transe visionário.
“Quando não vivemos à altura do nosso compromisso cristão nós representamos mal a Deus” (Lorom Wade, 2006)
A reflexão e maturação a respeito da palavra, bem como assimilação do propósito e das verdades de Deus, possibilitam a construção e a detenção do conhecimento teológico que nos dá condições para um bom serviço Cristão.

A prevalescencia das portas do inferno

Jesus perguntou aos discipulos o que os homens diziam que Ele era. Várias foram as respostas. Pedro porem respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” Ao que Jesus respondeu:” Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;”
As edificações modernas essencialmente as grandes edificações já não são alicerçadas em pedras brutas. Já se fazem outros preparos contendo o ferro. Mas nesses preparos está a pedra. Podemos então afirmar que toda edificação depende da pedra.
Se não fundamentarmos nossas doutrinas na Pedra que é Jesus Cristo a igreja não sobreviverá e não prevalecerá.
Segundo Ricardo Gondim (Pastor da Assembléia de Deus):
“Semelhantemente ao avivamento wesleyano, experimentamos um crescimento numérico nas igrejas brasileiras. Há uma efervescência religiosa em nosso país. As periferias das grandes cidades estão apinhadas de templos evangélicos, todos repletos. Grandes denominações compram estações de rádio e televisão. Cantores evangélicos gravam e vendem muitos CD’s. Publicam-se revistas e livros. Comercializam-se bugigangas religiosas nas várias livrarias, que também se multiplicam, interligadas pelo sistema de franquias. Por outro lado, diferentemente do que aconteceu na Inglaterra, o despertamento religioso brasileiro tem uma consistência doutrinária rala, demonstra pouca preocupação ética e um mínimo de impacto social. “
O que significa crescimento da Igreja? Número? Números nada significam para Deus se não houver coração contrito.
No livro de Mateus 20:16, está revelada não a ordem de posição dos chamados na Igreja, mas sim a forma diferenciada do Senhor Jesus conceder galardão.
“Sobre esta pedra edificarei...” Há uma única pedra edificadora: Jesus Cristo. Há erros de interpretação quando afirmam que é sobre a pedra: Pedro, que a Igreja se edificaria. Se Jesus tivesse a intenção de se referir a aquele, teria dito sobre “essa pedra”, entretanto Pedro anteriormente responde: “Tu és o Cristo...” Quando Jesus responde a Pedro, refere-se então à afirmativa deste e não a este.
É fácil então desmistificar a idéia de que as portas do inferno não têm prevalecido sobre a “Igreja”. Tem sim, por razões muito simples: em muitas igrejas: há apenas efervescências religiosas; aumenta o número de Igrejas e pastores mercadejadores da fé; traficantes de bênçãos; detentores da atenção e admiração dos fiéis em detrimento da Pedra:Cristo; simuladores da prosperidade como sinal exclusivo das bênçãos de Deus; apóstatas detentores do avivamento sem causa e sem racionalidade; estereotipadores do “modelo do ser cristão” e conseqüentes segregadores...
Os que edificam Igrejas debaixo das chantagens financeiras sob a alegação de que haverá a contrapartida de Deus através das bênçãos; os que a edificam debaixo de elevado comprometimento meramente político, econômico..., confundem a forma de Deus conceder vitórias, bênçãos e galardão.
Se Cristo é pregado em muitas Igrejas apenas como amuleto, haverá sempre a prevalescência das portas do Inferno.
As portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja edificada sobre a Pedra: Cristo.


Considerações finais

Deus é fonte inesgotável, pleno e eterno. A Teologia leva o homem à compreensão de um Deus transcendental.
A Teologia não é ponte para consecução da prosperidade material. É meio para compreendermos que Deus é quem nos escolhe e designa-nos para darmos frutos permanentes.
Usar a razão é demonstrar conhecimento e verdades de forma lógica, sob a égide da Bíblia. Não há conhecimento genuíno de Deus sem as diretrizes da Teologia. Deus não seria genuíno e autêntico.
O propósito do verdadeiro Cristão é perceber que Deus deve ser conhecido racionalmente como fonte de pleno e eterno poder. É entender e priorizar a edificação da Igreja sobre Cristo: a pedra fundamental para a não prevalescência das portas do inferno contra a Igreja.